sexta-feira, 12 de março de 2010

Retribuição - PARTE VII

Como se diz no cinema, cortem par alguns meses depois. Connie já não conseguia fazer sexo comigo. Por quê? Eu mesmo toquei no assunto, como se fosse o trágico protagonista de uma tragédia grega. Nossa vida sexual tinha começado a ratear havia algumas semanas.
"O que aconteceu?'', perguntei. ''Que que eu fiz?''
''Os, meu Deus, não é sua culpa. Merda.''
''Então, o quê? Me diga!''
''Não sei, só sei que não estou com vontade. Temos de fazer sexo toda noite?'' O que ela queria dizer com toda noite não passava de algumas vezes por semana e, ultimamente, muito menos do que isso.
''Não quero'', ela dizia, cheia de culpa, quando eu tentava demonstrar minhas péssimas intenções. ''Você sabe que não estou numa boa?'', eu insistia, incrédulo. ''Está saindo com mais alguém?''
''Claro que não.''
''Ainda me ama?''
''Antes não te amasse.''
''Então, qual é o grilo? Por que está desse jeito?
''Não sei. Só sei que não consigo trepar com você'', ela confessou certa noite. ''Você me lembra o meu irmão.''
''O quê?''
''Você me lembra Danny. Não me pergunte por quê.''
''Seu irmão? Você está brincando.''
''Não.''
''Mas ele tem 23 anos! É louro, bonito pra cacete, trabalha no escritório de advocacia do seu pai, e eu faço você se lembrar dele?''
''Sei lá, é como ir para a cama com ele'', ela soluçou.
''Está bem, está bem, não chore. Tudo vai terminar bem. Vou tomar uma aspirina e me deitar. Não estou me sentindo bem.''
Levei as mãos à cabeça, como se fosse vítima de uma enxaqueca, mas era óbvio até para mim que meu forte relacionamento com sua mãe tinha feito com que Connie passasse a me ver de modo bastante fraternal. O destino ajustava as contas com o locutor que lhe fala. Eu seria torturado como Tântalo, tão próximo do corpo dourado e macio de Connie Chasen, mas impossibilitado de tocá-la, excerto se - pelo menos até então - pronunciasse o clássico ''Pô!''. Dentro daquela absolutamente irracional que se desenha na maioria das relações humanas, eu tinha me tornado pouco mais do que o irmãozinho dela.

Woody Allen ''Odeio a realidade, mas é o único lugar onde se pode comer um bom filé.''

3 comentários:

Lunaticools disse...

Broxar é humano, faz parte. Só não broxa quem não transa... hehe
Nossa, mais uma frase fantástica para minha coleção... não conhecia essa do Allen: maravilhosa!

abç
Pobre Esponja

Marília Lage. disse...

Estou rindo e não me pergunte o porquê. UHAUHAHUAHUUHAHUHUAUHAHUAHUAHUAUHAHUAUHAHU +_+

Marcus Gabriel disse...

ainda não está nem na metade. x_x